A Caixa Econômica e o banco Panamericano anunciaram, esta semana, o final de uma negociação que significou a compra de 49% do capital votante do Banco PanAmericano pelo valor de R$ 739,27 milhões. A partir de agora, a Caixa tem 35,54% do capital do banco do grupo Silvio Santos. A mesma Caixa que tem este patrimônio para investir e ampliar sua atuação no mercado bancário brasileiro foi o banco que empurrou a negociação com seus trabalhadores por uma greve de 28 dias e que agora enrola na negociação do PCC.
Segundo a empresa estatal, “a operação possibilitará maior participação junto ao segmento de baixa renda, focado em pessoa física, no financiamento de veículos e operações de leasing. Destaca-se ainda a importância da enorme capilaridade do Banco PanAmericano e seus nichos de mercado, essenciais para a expansão do crédito nos segmentos de baixa renda”.
A Caixa é um banco público, desta forma, a negociação com o Banco Panamericano deve servir mais aos interesses do Brasil, ou seja, dos trabalhadores e da população (cidadãos), do que do Grupo de Silvio Santos. Será?
A crise de 2008 demonstrou que a força dos bancos públicos é essencial para o crescimento econômico e desenvolvimento do país e as negociações que envolvem estes bancos não podem simplesmente desvirtuar a lógica de que estes bancos existem para SERVIR O PAÍS.
Entulhados de trabalho devido aos programas sociais do governo federal, os trabalhadores que atuam na Caixa Econômica esperam que os efeitos desta negociação sejam no sentido de fortalecer o banco e desta forma, que a presidência da Caixa que está investindo, também passe a investir mais na carreira, nos salários, no clima de trabalho e especialmente, em mais contratações para o banco.
A Caixa já trabalha com o segmento de baixa renda e atua fortemente na bancarização, então, qual o motivo de comprar “parte” de um banco, no qual possui poder de decisão limitado no Conselho, correndo o risco de ficar refém da política do outro proprietário? Será que não é possível ampliar este segmento investindo na própria estrutura da Caixa? Criando mais empregos e valorizando o chamado “capital humano” já existente no banco? Ou a compra do Panamericano é uma forma de precarização do trabalho, assim como já ocorre com as lotéricas em todo o país?
A contar pela forma como a CEF conduziu as ultimas negociações salarias, a tendência é que opte por assimilar a política de RH do PANAMERICANO, com direito à precarização e desrespeito sistemático aos direitos e à dignidade das pessoas. Um vale tudo digno da selva.