“Tô precisando de aumento
Peço pro chefe rabugento.
Ele diz que não vai dar, meu Deus vou me ferrar.
Esse é meu trabalho, já não agüento mais…
Cheguei no meu limite
(então por que não se demite).
Conheça esta e outras opiniões sobre trabalho
Acesse youtube.com/hsbcbrasil”

Este jingle do banco HSBC foi divulgado na rádio Band News no dia 03 de novembro, às 9h da manhã. O Sindicato recebeu correios eletrônicos e ligações de trabalhadores perplexos e indignados denunciando “uma musiquinha que fala de um funcionário que está pedindo aumento e diz que está no seu limite. Aí vem o “chefe”, ou seja, o banco, e responde: então, porque não se demite!”.
A entidade foi averiguar as informações, em um primeiro momento desencontradas e parecendo minimamente inacreditáveis. Fato: era verdade! É preciso ouvir várias vezes para acreditar. Não por ser o HSBC, uma empresa que está se mostrando, constantemente, uma das piores para se trabalhar no Brasil (apenas para recordar: baixos salários em todo o país, alterações repentinas nas regras da Participação nos Lucros e Resultados, constantes práticas de opressão, demissões recorrentes, sobrecarga de trabalho e fechamento de agências). Mas por ser tão absurdo ver uma publicidade deste tipo, com esta conotação, divulgada em uma das rádios de maior audiência de Curitiba.
A pergunta automática foi: onde vamos parar? Como pode o banco HSBC divulgar abertamente a pressão para que seus funcionários se demitam? É fácil ler nas entrelinhas, afinal o jingle fala em: “chefe rabugento”, “vou me ferrar”, “este é meu trabalho”, “não agüento mais”, “cheguei no meu limite” e , para finalizar: ENTÃO POR QUE NÃO SE DEMITE. O recado é simples: “Não está contente, vaza!”
O que se espera de qualquer empresa é que, diante do descontentamento de seus funcionários, busque uma movimentação no sentido de promover mudanças e melhorar as condições de trabalho. O HSBC caminha no sentido inverso. Investe na máscara e na maquiagem no Natal do Palácio Avenida e nas ações sociais por meio do HSBC Solidariedade. Ao mesmo tempo, aumenta metas, tira direitos de seus funcionários, abusa da pressão, sobrecarrega de trabalho os departamentos e demite frequentemente, instaurando um clima de trabalho insustentável nas dependências do banco.
O banco não muda, piora ano a ano e “coroa” suas atitudes com um bem feito jingle publicitário que sugere… “então, por que não se demite?”