Febraban quer controlar inadimplência com portal

30 de março de 2010

A Federação Brasileira dos Bancos torrou R$ 7 milhões em um bonito e interessante portal sobre administração financeira. A finalidade do portal, segundo a entidade, é ajudar o brasileiro em sua educação para lidar com o dinheiro. Aprender a poupar, fazer projeções e um planejamento é, com certeza, uma habilidade que qualquer um de nós quer desenvolver e medidas neste sentido cairiam muito bem, se não fossem uma iniciativa institucional para manipular a opinião pública.

A jornalista Miriam Gasparin quase mata a questão ao afirmar: “A verdade é que uma boa parte destes clientes que começaram a se relacionar com os bancos têm pouco conhecimento de como lidar com o dinheiro ou então são atraídos por empréstimos, que muitas vezes acabam levando à inadimplência.”  A especialista em negócios se referia aos clientes bancários recém conquistados pelas empresas nas classes C/D/E.  “O número de clientes bancários cresceu 70% e hoje já são 80 milhões de pessoas que possuem conta em banco. No caso dos cartões de crédito, de cada 100 usuários do chamado “dinheiro de plástico”, 60 pertencem à classe C e 22, às classes D/E”, anuncia Miriam.

Ao invés de realizar uma investida firme para baixar os juros e desta forma pôr um fim na inadimplência e ao mesmo tempo promover o crescimento do país, os bancos preferem jogar a culpa no colo do cidadão. Afinal, investir R$ 7 milhões não é nada para aqueles que estão entre os mais rentáveis na América Latina e nos Estados Unidos, segundo levantamento da consultoria Economatica. Assim, os bancos tentam aliviar sua péssima imagem diante da opinião pública lançando um funcional e moderno portal em que os clientes podem obter planilhas para controle de gastos, conseguir dicas de uso consciente do dinheiro e diversas informações a respeito de produtos e serviços bancários. Mais uma ação de responsabilidade social da Febraban para a sociedade brasileira. Claro que a intenção da entidade é apenas e tão somente evitar que seus clientes coloquem em risco o orçamento de suas famílias. Depois, falsos são os participantes do BBB.

O texto da Miriam Gasparin está disponível em: http://jornale.com.br/mirian/?p=8491

No ranking de reclamações, os bancos são campeões

19 de março de 2010

Untitl

Por Pablo Diaz, dirigente sindical e trabalhador

no BB

Dentre as dez empresas

campeãs em desrespeito ao consumidor (também pessoas, cidadãos e seres humanos…), quatro são bancos. Os dados não são do movimento sindical bancário, que tradicionalmente denuncia as péssimas práticas dos bancos em relação aos seus clientes, mas sim do Procon. Curiosamente, se o Bradesco queria alcançar o Itaú, agora, ficará mais difícil, pois o Itaú (que adquiriu o Unibanco) , agrega ao seu “core business” o desrespeito proveniente da ganância desmedida. É importante salientar que o  Sistema Financeiro Nacional (SFN) está à margem da lei. Não há regulamentação, controle político, social ou moral em relação aos bancos no Brasil. A exploração, portanto, continua em nome do livre mercado e da livre iniciativa. Quem paga a conta são os clientes. Parabéns ao Itaú, Bradesco, Ibi Banco e ao Unibanco pela notoriedade negativa.

Certamente, essa notícia não merecerá o mesmo destaque nos jornalões brasileiros, que transformaram a notícia em mercadoria. Se é um bom anunciante, provavelmente a notícia aparecerá nas últimas páginas dos diários ou antes dos gols da rodada em pequena nota. Quanto às empresas não-bancárias, coincidentemente estão as de telecomunicações, originárias da privatização (que prometia melhorar o mundo ). Melhorou, mesmo, mas apenas para os “acionistas” e donos.

Segue o Ranking das “empresas cidadãs” e “socialmente responsáveis”

Ranking Fornecedores 2008 e 2009

2008

2009

TELEFÔNICA

TELEFÔNICA

ITAÚ

ITAÚ

TIM

ELEtROPAuLO MEtROPOLitAnA

UNIBANCO

SOnY ERiCSSOn

BRASIL TELECOM

TIM CELULAR

EMBRATEL

CLARO

GRADiEntE / PHiLCO

BRADESCO

BRADESCO

UNIBANCO

ELEtROPAuLO MEtROPOLitAnA

BANCO IBI- C&A

10º

SOnY ERiCSSOn

EMBRATEL

Trabalhar sofrendo é o ó!

26 de fevereiro de 2010

Na próxima semana, precisamente nos dias 03 e 04 de março, o Sindicato vai apresentar para discussão da categoria uma temática essencial nas relações entre patrões e empregados: a organização de trabalho. É um tema que enfrenta muita resistência dos empregadores; e o incoerente é que não há grandes razões para esta implicância. Em entrevista para a Bancári@s – revista do Sindicato, a professora Nanci Stancki, uma das palestrantes do 1º Ciclo de Debates: “Organização do Trabalho: Inclusão ou reclusão?” , destacou que mudanças em prol das condições de trabalho e que beneficiam os trabalhadores não se voltam contra o empregador. Ao contrário, ganha-se em produtividade e lucratividade.

“O tempo mostra que os benefícios sociais que se obtém com o respeito aos direitos dos trabalhadores superam possíveis quedas imediatas na produção e nos lucros e que o mercado pode inclusive ganhar quando a qualidade de vida dos funcionários melhora”, destaca.

O Sindicato, assim como outras entidades e pesquisadores, luta pela maior conscientização em relação ao trabalho. Não se pode permitir que as atividades profissionais sejam fontes de sofrimento.

Para debater este assunto, basta se inscrever até segunda, dia 1º de março, por telefone (41) 3015-0523.

Bancários sindicalizados são isentos, demais profissionais pagam R$ 40 e estudantes tem 50% de desconto.

Para mais informações, acesse www.bancariosdecuritiba.org.br.

Campanha da Fraternidade aborda economia e põe em cheque postura dos bancos

23 de fevereiro de 2010

Ao ler as primeiras reportagens sobre o tema da Campanha da Fraternidade Ecumênica 2010 (CFE 2010) e seus propósitos, é impossível não lembrar da “Porta do Inferno”, que ocupou a frente de várias agências em Curitiba e região na Campanha Salarial 2008 e que chegou a ser censurada por decisão judicial. “Queremos mostrar que a economia não deve visar o lucro desmedido, mas sim a dignidade humana”, explicou o reverendo Luiz Alberto Barbosa, da Igreja Anglicana, secretário-geral do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic), referindo-se aos propósitos da CFE deste ano.

O texto-base da Campanha insiste que a economia existe para a pessoa e para o bem comum da sociedade, não a pessoa para a economia. Portanto, embora necessário, o dinheiro deve ser usado pelo bem comum. Em síntese, a vida econômica deveria ser orientada por princípios éticos.

Nada mais contrastante do que falar em ética se o contexto é economia e, mais precisamente, o setor financeiro. Estudo divulgado no último dia 19, pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), apontou que os três maiores bancos privados que operam no país (Itaú Unibanco, Bradesco e Santander) fecharam 9.902 postos de trabalho em 2009, apesar de apresentarem um lucro líquido superior a R$ 24 bilhões e de terem ampliado o número de agências e a base de clientes no mesmo período.

Com o intuito de lucrar cada vez mais, os bancos desvirtuam sua função de intermediação financeira e concessão de crédito, reduzem custos cortando empregos, aumentam a pressão para o cumprimento de metas nas vendas de produtos e… por aí vai. A CFE 2010 só enfatizou que, do jeito que as coisas estão, ser banqueiro é o caminho mais curto para o inferno.

Conferência de Comunicação inicia hoje em Brasília

14 de dezembro de 2009

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, abre nesta segunda-feira, dia 14, às 19 horas, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília (DF), a 1ª Conferência Nacional de Comunicação (1ª Confecom). O evento, que prossegue até o dia 17 de dezembro, é o resultado do esforço da sociedade civil  com o objetivo de pensar maneiras para democratizar a produção, a distribuição e o acesso à informação no Brasil.

A discussão é essencial para reverter o que Paulo Freire denominava de “mutismo” (uma sociedade de mudos), ou seja, dar voz e direito ao verdadeiro exercício de cidadania para a população brasileira. Comunicação é um direito humano e o acesso à informação é primordial para o debate e construções de políticas públicas que atendam a sociedade.

Presa nas mãos de poucos “donos”, a mídia é terra sem lei no Brasil, defendendo apenas quem pode pagar. Embora a Constituição Federal tenha artigos versando sobre como a comunicação deve ser pública e plural, são muitos os desvios. Mas, pela primeira vez, a sociedade civil está tendo oportunidade de expor cada um deles em um evento de relevância nacional, convocado pelo Governo Federal.

O Sindicato dos Bancários e a CUT-PR estão representados na Conferência pela bancária Sonia Boz, diretora de imprensa do SEEB Curitiba.

Acompanhe os debates em http://www.confecom.com.br/

E agora… a Caixa compra parte do Panamericano…

3 de dezembro de 2009

A Caixa Econômica e o banco Panamericano anunciaram, esta semana, o final de uma negociação que significou a compra de 49% do capital votante do Banco PanAmericano pelo valor de R$ 739,27 milhões. A partir de agora, a Caixa tem 35,54% do capital do banco do grupo Silvio Santos. A mesma Caixa que tem este patrimônio para investir e ampliar sua atuação no mercado bancário brasileiro foi o banco que empurrou a negociação com seus trabalhadores por uma greve de 28 dias e que agora enrola na negociação do PCC.

Segundo a empresa estatal, “a operação possibilitará maior participação junto ao segmento de baixa renda, focado em pessoa física, no financiamento de veículos e operações de leasing. Destaca-se ainda a importância da enorme capilaridade do Banco PanAmericano e seus nichos de mercado, essenciais para a expansão do crédito nos segmentos de baixa renda”.

A Caixa é um banco público, desta forma, a negociação com o Banco Panamericano deve servir mais aos interesses do Brasil, ou seja, dos trabalhadores e da população (cidadãos), do que do Grupo de Silvio Santos.  Será?

A crise de 2008 demonstrou que a força dos bancos públicos é essencial para o crescimento econômico e desenvolvimento do país e as negociações que envolvem estes bancos não podem simplesmente desvirtuar a lógica de que estes bancos existem para SERVIR O PAÍS.

Entulhados de trabalho devido aos programas sociais do governo federal, os trabalhadores que atuam na Caixa Econômica esperam que os efeitos desta negociação sejam no sentido de fortalecer o banco e desta forma, que a presidência da Caixa que está investindo, também passe a investir mais na carreira, nos salários, no clima de trabalho e especialmente, em mais contratações para o banco.

A Caixa já trabalha com o segmento de baixa renda e atua fortemente na bancarização, então, qual o motivo de comprar “parte” de um banco, no qual possui poder de decisão limitado no Conselho, correndo o risco de  ficar refém da política do outro proprietário? Será que não é  possível ampliar este segmento investindo na própria estrutura da Caixa? Criando mais empregos e valorizando o chamado “capital humano” já existente no banco? Ou a compra do Panamericano é uma forma de precarização do trabalho, assim como já ocorre com as lotéricas em todo o país?

Este fim de semana tem festa!

24 de novembro de 2009

Para que ninguém acuse os blogueiros responsáveis por este espaço “virtual” dos Bancários de apenas comentar e divulgar questões negativas, lembramos que este final de semana tem festa.

É bem verdade que a Gripe A estragou as comemorações do Dia dos Bancários. Mas depois de 15/28 dias de greve, a data mais viável para a confraternização era este 28 de novembro. Portanto, com todos os atrasos possíveis,  a festa se realizará com o mesmo entusiasmo de outras edições.

No cardápio, costela e porco no rolete. O tempo promete colaborar e como já chegamos no final de ano, época de tantas festas e comemorações, o Dia dos Bancários atrasado promete dar mais um “tempero” para o ano que se encerra. Os ingressos custam R$ 12 para sindicalizados e R$ 20 para não sindicalizados (menores de 10 anos não pagam) e podem ser adquiridos na Sede Administrativa do Sindicato (Vicente Machado, 18, 8° andar), no Espaço Cultural (Rua Piquiri, 380) ou com os diretores da entidade.

Que a festa sirva para “deixar para trás” o que temos para lamentar em 2009, traga boas energias para o próximo ano e excelentes notícias para a categoria bancária. Não deixe de participar da festa deste final de semana, na Sede Campestre!

Em tempo…

PISCINA

A temporada de piscinas da sede campestre se inicia no dia 05 de dezembro. A partir desta data, os bancários podem aproveitar as piscinas da Sede, das 9h às 18h30, nos sábados, domingos e feriados. Para a utilização das piscinas é preciso realizar exame médico, que será realizado na própria Sede.  Mais informações aqui

Que jingle é esse?

17 de novembro de 2009

“Tô precisando de aumento

Peço pro chefe rabugento.

Ele diz que não vai dar, meu Deus vou me ferrar.

Esse é meu trabalho, já não agüento mais…

Cheguei no meu limite

(então por que não se demite).

Conheça esta e outras opiniões sobre trabalho

Acesse youtube.com/hsbcbrasil”

Ouça aqui

blog_demissao

Este jingle do banco HSBC foi divulgado na rádio Band News no dia 03 de novembro, às 9h da manhã. O Sindicato recebeu correios eletrônicos e ligações de trabalhadores perplexos e indignados denunciando “uma musiquinha que fala de um funcionário que está pedindo aumento e diz que está no seu limite. Aí vem o “chefe”, ou seja, o banco, e responde: então, porque não se demite!”.

A entidade foi averiguar as informações, em um primeiro momento desencontradas e parecendo minimamente inacreditáveis. Fato: era verdade! É preciso ouvir várias vezes para acreditar. Não por ser o HSBC, uma empresa que está se mostrando, constantemente, uma das piores para se trabalhar no Brasil (apenas para recordar: baixos salários em todo o país, alterações repentinas nas regras da Participação nos Lucros e Resultados, constantes práticas de opressão, demissões recorrentes, sobrecarga de trabalho e fechamento de agências). Mas por ser tão absurdo ver uma publicidade deste tipo, com esta conotação, divulgada em uma das rádios de maior audiência de Curitiba.

A pergunta automática foi: onde vamos parar? Como pode o banco HSBC divulgar abertamente a pressão para que seus funcionários se demitam? É fácil ler nas entrelinhas, afinal o jingle fala em: “chefe rabugento”, “vou me ferrar”, “este é meu trabalho”, “não agüento mais”, “cheguei no meu limite” e , para finalizar: ENTÃO POR QUE NÃO SE DEMITE. O recado é simples: “Não está contente, vaza!”

O que se espera de qualquer empresa é que, diante do descontentamento de seus funcionários, busque uma movimentação no sentido de promover mudanças e melhorar as condições de trabalho. O HSBC caminha no sentido inverso. Investe na máscara e na maquiagem no Natal do Palácio Avenida e nas ações sociais por meio do HSBC Solidariedade. Ao mesmo tempo, aumenta metas, tira direitos de seus funcionários, abusa da pressão, sobrecarrega de trabalho os departamentos e demite frequentemente, instaurando um clima de trabalho insustentável nas dependências do banco.

O banco não muda, piora ano a ano e “coroa” suas atitudes com um bem feito jingle publicitário que sugere… “então, por que não se demite?”

Em Brasília, bancários lutam por fim do interdito proibitório

11 de novembro de 2009

Uma comissão de trabalhadores bancários foi para Brasília, nesta quarta, dia 11, participar da 6ª Marcha da Classe Trabalhadora. São várias as reivindicações da mobilização, que reúne milhares de trabalhadores de todos os sindicatos do país, mas há especial interesse dos bancários em duas questões: o fim do interdito proibitório e a ratificação da Convenção 158 da OIT, que coibe a demissão imotivada.

A bandeira principal da classe trabalhadora é a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais. Uma reivindicação muito séria e que pode trazer grandes benefícios para todo o país em questões centrais como emprego, produtividade, qualidade de vida e saúde do trabalhador e possibilidade de investimento em formação profissional.

Mas, voltando a falar de assuntos que dialogam diretamente com os bancários, o cenário de concentração no setor com as recentes aquisições dos bancos Unibanco e Real, respectivamente pelos grupos  Itaú e Santander, torna imprescindível para os trabalhadores que atuam em bancos a ratificação da convenção 158, que cria mecanismos para coibir a demissão imotivada. A medida reduziria a rotatividade no setor bancário e reduziria o pavor de demissão, uma triste realidade de quem atua nos bancos privados do país.

Em relação ao fim do interdito proibitório, seria uma reafirmação do direito de luta e de greve dos trabalhadores. Na última campanha salarial, o Sindicato salientou diversas vezes que o interdito não proíbe a adesão do bancário ao movimento grevista, entretanto, exatamente pelo menos motivo citado acima  (pavor de demissão),  esta sensação de fragilidade em relação ao emprego, o entendimento do Poder Judiciário de que este artifício está sendo usado irregularmente pelos bancos seria uma excelente notícia.

Em outros anos, a Marcha já trouxe avanços, como a política de valorização do salário mínimo, essencial para o desenvolvimento do país. Agora, a CUT e as demais centrais sindicais, esperam novamente sensibilizar o governo federal para conquistar novos avanços nas reivindicações dos trabalhadores.

“Arriaram a calça” do HSBC

28 de outubro de 2009

Bancários de todo o país protestaram nesta quarta-feira, dia 28, contra a atitude do banco inglês que reduziu drasticamente a PLR paga aos trabalhadores.  No Paraná, 46 agências do HSBC (33 em Curitiba e região) e quatro centros administrativos permaneceram fechados. A Contraf-CUT estima que ficaram sem expediente 220 unidades.

chute

O pior é que, em nota oficial, o banco culpa a população/clientes, taxada de inadimplente,  pela altíssima provisão (Provisão para Perdas com Devedores Duvidosos) que afetou seu balanço.  Ou seja, eles enchem os bolsos as custas de clientes e trabalhadores e depois vem com esta desculpa. Na nota oficial, se fala em ética… que ética?

Hoje, os trabalhadores de todo o país cruzaram os braços para  lutar e exigir que esta trapaça não saia impune. Novas mobilizações estão previstas para as próximas semanas.